Preços de imóveis em Portugal: o que muda por região
Média nacional fica parada em agosto, mas Centro e Norte sobem forte enquanto Porto e Lisboa recuam

O preço médio pedido por imóveis à venda em Portugal ficou em 430 mil euros em agosto de 2026, valor idêntico ao registrado no mesmo mês do ano anterior, segundo o Barômetro Imovirtual divulgado pelo The Portugal News. Os aluguéis também permaneceram estáveis na média nacional, em 1.300 euros mensais, mas o cenário muda bastante quando os dados são analisados por região.
Enquanto a média do país não se moveu, o levantamento aponta que o Centro teve a maior alta anual nos preços de venda, e o Norte liderou o crescimento dos aluguéis. Já Porto e Lisboa caminharam na direção oposta, com quedas nos valores pedidos pelos imóveis.
Quem sente o impacto da alta de preços em Portugal
No Centro do país, o preço médio de venda subiu 14,6% em um ano, passando de 257,5 mil para 295 mil euros. Coimbra puxou essa alta, com aumento de 17%, chegando a 310 mil euros, enquanto Santarém subiu 12% (280 mil euros) e Leiria avançou 11,1% (350 mil euros). A Guarda foi exceção na região, com queda de 3,6%, para 94 mil euros.
O Sul também registrou alta, com o preço médio de venda em 270 mil euros, avanço de 8% no ano. Portalegre teve o salto mais expressivo, de 25%, chegando a 150 mil euros, seguida por Beja, com alta de 11,1% (200 mil euros). Faro seguiu como um dos mercados mais caros do país, com média de 580 mil euros, alta de 6,4%, enquanto Setúbal chegou a 486 mil euros, com aumento mais discreto de 2,3%.
No Norte, a média de venda subiu 3,6%, para 290 mil euros. Braga se destacou com salto de 31%, saindo de 100 mil para 131 mil euros, e Vila Real avançou 16,7%, para 210 mil euros. Já o Porto teve queda de 13%, caindo de 434 mil para 377,5 mil euros, e Aveiro recuou 7,3%, para 355 mil euros. Lisboa também registrou baixa anual de 3,1%, com o preço médio caindo de 650 mil para 630 mil euros, embora na comparação mensal tenha subido 5% frente a julho.
Os arquipélagos tiveram as variações mais bruscas: a Ilha Terceira, nos Açores, viu o preço médio de venda saltar 57,4%, de 190 mil para 299 mil euros. São Miguel teve queda discreta de 1,3%, para 389,9 mil euros, e a Madeira recuou 3,4%, para 570 mil euros.
Como ficam os aluguéis nas diferentes regiões
O mercado de locação também mostra diferenças acentuadas entre regiões. No Norte, o aluguel médio subiu 20% em um ano, de 750 para 900 euros mensais. Bragança liderou essa alta, com salto de 35%, para 675 euros, seguida por Viana do Castelo, com aumento de 21,3%, para 910 euros. No Porto, o aluguel médio chegou a 1.200 euros, alta de 9,1%.
No Centro, os aluguéis subiram apenas 1,6%, para 788 euros por mês. Santarém teve a maior alta da região, de 13,3%, para 850 euros, enquanto Castelo Branco avançou 9,1%, para 600 euros. Coimbra, ao contrário, registrou queda de 9,4%, caindo de 800 para 725 euros, movimento semelhante ao de Lisboa, que teve leve recuo de 0,9%, para 1.685 euros mensais.
No Sul, o aluguel médio ficou em 975 euros, alta de 1% no ano. Faro seguiu como o distrito mais caro da região, com média de 1.388 euros, alta de 11,1%, e Setúbal subiu 8,3%. Beja foi a única a registrar queda, de 3,8%, para 625 euros. Nos arquipélagos, a Terceira teve o maior salto, de 42,9%, alcançando 1.000 euros mensais, seguida por São Miguel, com alta de 30%, para 1.300 euros. A Madeira permaneceu estável, em 1.500 euros.
O que dizem os números mês a mês
Apesar das variações anuais expressivas em algumas regiões, o mercado mudou pouco entre julho e agosto de 2026. O preço médio nacional de venda subiu cerca de 0,7%, de 427 mil para 430 mil euros, e os aluguéis ficaram parados em 1.300 euros. No Centro, houve alta mensal de 1,9% nas vendas, e o Sul avançou 1,3%. Já os aluguéis no Norte permaneceram em 900 euros, enquanto o Centro caiu 1,6% e o Sul teve queda de 7,1% no mês.
Sylvia Bozzo, gerente de marketing da Imovirtual, afirmou ao The Portugal News que os números nacionais não devem esconder as diferenças entre os mercados regionais do país. Segundo ela, é preciso olhar além das médias nacionais, já que algumas áreas seguem com forte alta de preços enquanto outras apresentam estabilidade ou queda.
O que isso significa para quem pensa em comprar ou alugar
Os dados do Barômetro Imovirtual não têm relação direta com o mercado imobiliário brasileiro, já que tratam exclusivamente de Portugal. Para brasileiros que avaliam comprar ou alugar imóvel no país europeu, seja para morar ou investir, o levantamento indica que vale pesquisar preços por cidade e não apenas pela média nacional, já que a diferença entre regiões chega a dezenas de pontos percentuais em poucos meses.
Quem já tem processo de mudança ou compra em andamento em Portugal deve considerar que os valores publicados são preços pedidos, e não necessariamente os praticados no fechamento do negócio. A recomendação, segundo o próprio levantamento, é acompanhar as atualizações mensais do barômetro e comparar diretamente a cidade de interesse, já que localidades vizinhas dentro da mesma região podem ter comportamentos opostos, como mostram os casos de Porto e Braga ou de Coimbra e Leiria.